

Não sei vocês, mas a Copa que mais recordo, estranhamente falando, é a de 94. Talvez pelo grande espaço de tempo em que o Brasil não voltava a ser o soberano dos gramados, e pelo fato de meu pai ter arremessado uma lata de cerveja cheia na minha cabeça quando o Baggio errou aquele pênalti.
Era uma época de muitos descréditos e promessas. Parreira era como o Dunga no começo: ninguém botava fé. Ronaldinho (atualmente, Ronaldo Bola) era o Neymar da ocasião; e todo mundo acendia uma vela pra São Romário.
Eu estava aqui tentando lembrar quando foi a última vez que colecionei figurinhas da Copa. Dada essa dificuldade, tudo leva a crer que fora há muito tempo. Nada contra quem adora álbum, mas quem gosta de colecionar jogador de futebol é Maria-chuteira e travesti.

Falando em álbum da Copa, os mais fáceis de completar são Japão e Coreia. Você cola até as repetidas que ninguém repara.
Mas bem que poderia rolar um álbum das beldades do vôlei. De biquíni, hein. A Suécia eu completaria numa tarde e Cuba eu tiraria a página por puro senso estético.
Outro tipo de álbum que poderia bombar era o “Grandioso Álbum dos Psicotrópicos, Alucinógenos e Similares”. Você poderia, por exemplo, se contentar em completar uma cartela de Prozac, ou na página do LSD, viajar para uma outra dimensão com figurinhas holográficas especiais.

E que tal o álbum dos assassinos e criminosos? Cada figura altamente personalizada, ou duplamente personalizada, dependendo da patologia do indivíduo. Teríamos páginas com picote, rasgadas e com manchas. Tudo muito temático e colorido. Cores quentes. Vermelho predominando.
Ou um álbum só com a galerinha da política? Você poderia muito bem conseguir aquelas que faltam para completá-lo facinho por intermédio de um laranja, pagando propina pro cara da banca ou até mesmo fazendo lobby para a editora.
O mais legal deste álbum é que você poderia ficar, sei lá, uns 10 anos com ele. As figuras nunca mudam.
Postado por
Guilherme Lautenschläger



























