

Trabalho. Eu queria ter tempo para escrever sobre esse assunto.
É ele quem leva o homem à desgraça e à salvação em apenas um mês. Tudo gira em torno de contas e vencimentos. E conta e vencimento possuem uma atração que a física não explica e o salário nem tenta. Já dizia a sua avó: quem trabalha não tem tempo para ganhar dinheiro.

Vivemos entre a cruz e a espada. Ambas do patrão. O dia não passa. O único aumento é o da pressão. O relógio dos prazos parece adiantado umas 5 horas…
Discordo quando dizem que o mercado de trabalho é uma selva. Não é. O mercado de trabalho é um zoológico e cada um tem seu papel definido. O seu varia de tratador a foca.
Nosso principal e único objetivo é sobreviver nele. Limpar as merdas, alimentar os lobos, dividir elevador com elefantes, aturar o temperamento do leão que senta numa confortável cadeira de couro reclinável. Tudo para esperar a recompensa: um biscoitinho por saber rolar se se fingir de morto.

Como eu gostaria que elogio fosse dinheiro. Pagaria tudo o que devo com “parabéns”.
- Quanto te devo, senhor Manuel? Bom, tome esses 10 parabéns que recebi hoje por uma meta alcançada. Como os elogios partiram de 2 diretores diferentes e salvou a empresa da ruína, creio que deva valer muito.
Mas o pior do trabalho não é a jornada. É a piada do chefe. E era esse assunto que eu queria chegar enrolando até aqui.
Minha frase-mestre: toda piada será engraçada desde que você seja o patrão. Olhe ao seu redor a pantomima. O gracejo do chefe desperta os sorrisos mais amarelados. Os puxa-sacos se deleitam com a piadas de manuais de fortificantes e arquivos Power Point.

Lá vem o chefe com um debate azedo e empolgado sobre o Zorra Total. A imitação de uma video-cassetada que assistiu, sim, crendo que você visualize isso e se dobre de rir. Algo tão claro quanto explicar som pra surdo.
Nessas horas a vontade é ser um ninja ou o David Coperfield. Jogar uma bomba de fumaça e desaparecer.
Quer rir? Olha o contracheque.
Ah, e se a piada do chefe for mesmo inevitável, não se esqueça de ter sempre em mãos a sua risada de trabalho.
Postado por
Guilherme Lautenschläger


























